O TAS está a celebrar 50 anos. Um momento especial, assinalado com uma nova peça, já em ensaios. “Simplesmente Abril” estreia-se no Dia Mundial do Teatro e também comemora o cinquentenário da Revolução dos Cravos
“Teatro é teatro, pá! Não é uma obra do regime.” Assim começa mais um ensaio da nova peça que o TAS – Teatro Animação de Setúbal está a preparar. Em palco, estão Célia David, Duarte Victor, Miguel Assis e João Fernandez, dirigidos por Carlos Curto. O texto tem a assinatura de Rui Zink.
“Sem falsas modéstias, é a peça que define o 25 de Abril e que explica não só a sua natureza como a sua essência”, revela o autor da obra original “Simplesmente Abril”, que também pode ser “Três Tristes Pides”.
No Teatro de Bolso respira-se confiança, não obstante faltarem menos de dois meses para a estreia. “Pá, não temos cá o João [Fernandez], por isso, esta primeira parte não dá para fazer”, diz Duarte Victor, enquanto passa em revista o guião de 98 páginas para decidir o que ensaiar.
O mesmo fazem Célia David e Miguel Assis, enquanto se dirigem ao palco, no qual repousam apenas duas cadeiras e uma mesa. A parte de “A Ordem do Chile” aparece como opção para os três atores. “Mas essa é um bocado grande para agora”, adverte Miguel Assis.
“Isto é teatro, pá! Não é uma obra do regime.” A frase, entoada com convicção por Célia David, faz a escolha para o início da conversa que flui de imediato entre os três.
Sentados na primeira fila, autor e encenador acompanham de perto. Observam a partilha cénica e tiram notas. Sem intervenção.
Nem o som de um toque de telemóvel, que por acaso é de Carlos Curto, tira o foco e a concentração de palco. O diálogo fica mais forte a cada frase, a cumplicidade mais íntima a cada movimento. Perde-se a noção do tempo. É “Simplesmente Abril” a ganhar vida.
O diálogo que ocupa quase dez páginas do guião termina. Questiona-se: mais uma? A cena dos três tristes pides é uma possibilidade. “Já não tenho tempo para essa”, declara Miguel Assis. “E a do pacote?”, propõe Duarte Victor. “A da encomenda…”, corrige Célia David. A sessão fica-se por ali.
A equipa ensaia três a quatro vezes por semana. “Temos hora de começar, mas não de acabar”, revela Carlos Curto.
Os momentos de maior tensão “só antes da estreia, o que é bom sinal”.
Sobre a parceria com o autor, aponta um “encontro de humores e opiniões, o que facilita o trabalho”.
A peça estreia-se a 27 de março, no Fórum Municipal Luísa Todi, com uma tripla celebração. O Dia Mundial do Teatro e os 50 anos do 25 de Abril e do TAS.
“Simplesmente Abril” está na principal sala de espetáculos setubalense entre os dias 27 e 30 de março. O que esperar? Rui Zink deixa pistas. “Entretenimento e alguma substância. Agradável de ver, por vezes divertida. Uma festa. Mas para haver festa, é preciso haver parceiro. Público.”