Quando a cidade abranda e o dia se despede, há lugares que ganham luz no interior. Visitar museus e galerias ao entardecer é escutar Setúbal com vagar. À medida que a luz se recolhe, os espaços culturais revelam outra perspetiva, feita de detalhe e pausa. A visita transforma-se num encontro entre património, memória e experiência.
No Museu de Setúbal/Convento de Jesus, a luz dourada percorre os claustros e conduz um percurso onde se cruzam história, arte e espiritualidade. Entre mais de quinhentas obras, o retábulo renascentista afirma-se como peça maior, envolto num silêncio que reforça a ligação ao lugar.
Em Azeitão, a Casa-Memória Joana Luísa e Sebastião da Gama convida ao recolhimento. Cartas, manuscritos e objetos pessoais desenham uma geografia afetiva onde a poesia dialoga com a paisagem da Arrábida.
No centro histórico, a Casa Bocage/Arquivo Américo Ribeiro ganha intensidade no final do dia, favorecendo a leitura e a reflexão sobre a vida e obra do poeta.
Na Baixa, a Casa do Corpo Santo/Museu do Barroco revela-se com especial beleza quando a luz baixa, realçando azulejos, tetos e talha dourada e sublinhando a expressividade artística do espaço museológico.
Ao entardecer, estes e outros espaços museológicos municipais afirmam-se como territórios sensíveis, onde luz, silêncio e memória dialogam.