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bastidores

Sonho de patinar

novembro 2020

A patinagem artística é uma das principais modalidades desportivas praticadas no Clube Naval Setubalense, agremiação que completou este ano um século de existência. As atletas aliam a técnica à arte para proporcionar espetáculos de grande beleza em perfeita sintonia com a música

São quase oito da noite. As meninas da classe de iniciação de patinagem artística do Clube Naval Setubalense terminam o treino e dão lugar às atletas de pré-competição, que já têm à espera as treinadoras Rute Cardoso e Catarina Martins.

Perto de dezena e meia de raparigas, com idades entre os 9 e os 19 anos, entram no rinque do pavilhão com maillots de várias cores e modelos, com mais ou menos brilhos, saias, collants e patins.

Começam os primeiros saltos e piões, mas, antes, é preciso fazer alguns exercícios sem os patins. O objetivo é, além do aquecimento muscular, treinar alguns movimentos que normalmente são executados com os patins calçados.

“Estamos prontas?”, pergunta Rute, que ordena a todas as atletas que voltem a colocar os patins e treinem, livremente, os esquemas que já conhecem de cor.

A treinadora Rute Cardoso entrou para o centenário Clube Naval Setubalense há três anos com o objetivo de “desenvolver a modalidade, sobretudo a prática de show”, e levar novamente o clube a participar no campeonato europeu da disciplina.

Em 2020 o objetivo quase que foi cumprido. A situação pandémica obrigou ao adiamento dos campeonatos nacional, que permitiria o apuramento, e europeu.

“Já tínhamos tudo preparado, esquemas e fatos, bem como viagens e estadias marcadas.”

Uma semana antes da realização, o campeonato nacional foi suspenso e o sonho acabou adiado.

Mas o trabalho continua e agora o pensamento está voltado para a reabertura do calendário da modalidade nas disciplinas de show e patinagem livre, com treinos às segundas e quartas-feiras ao final do dia e aos sábados de manhã. Para isso, é preciso treinar muito e as treinadoras dão as dicas e o incentivo necessários para que as meninas consigam realizar movimentos perfeitos.

“Matilde, se estás a puxar com o braço, a cabeça não pode ir atrás, tem de ir à frente”, avisa Catarina, enquanto a praticante tenta fazer um pião.

Já a treinadora Rute centra atenções em Constança, que cai ao tentar executar um dos mais complicados saltos da patinagem artística, o axel. “Quando inicias o salto, não podes rodar, tens de subir logo.”

Mas o olhar atento da treinadora repara que Leonor Castro, uma das atletas mais velhas, não consegue executar corretamente um pião avião, essencial para o esquema que está a ensaiar. “Tens de estabilizar a posição mais cedo. Sobe a mão esquerda, passa a direita atrás e sobe logo.”

O treino está quase a terminar. É hora de fazer um pequeno aquecimento final e arrumar os patins. “Muito bem meninas!”, despedem-se as treinadoras. As atletas sorriem. A técnica e beleza únicas da patinagem artística voltam a iluminar o pavilhão no próximo sábado.