Nasceu em 1876 para responder às necessidades de abastecimento da cidade e afirmar-se como principal mercado setubalense. Este ano, o Mercado do Livramento celebra 150 anos de história, tradição e serviço às populações.
No século XIX, Setúbal afirmava-se como importante centro conserveiro e portuário, com forte dinamismo ligado à pesca e à produção agrícola envolvente. O crescimento económico e populacional tornava evidente a necessidade de organizar o comércio de bens alimentares, até então disperso por vários pontos da vila.
O peixe era vendido na Praça da Ribeira Velha, atual Largo Dr. Francisco Soveral, então ainda banhada pelo rio Sado e abastecida diretamente pelas embarcações que ali acostavam.
Já os legumes e hortaliças encontravam lugar na antiga Praça das Couves, hoje Praça de Bocage, provenientes das hortas, quintas e pomares que circundavam a vila.
O crescimento urbano exigia uma estrutura capaz de concentrar, regular e qualificar a venda de alimentos. Foi neste contexto que, a 31 de julho de 1876, foi inaugurado o Mercado do Livramento, desenhado pelo condutor de obras públicas Marcelino Cisneiros de Faria e concebido como espaço público organizado para o comércio de peixe, frutas, hortaliças e outros produtos essenciais ao abastecimento diário da população.
Considerado obra de vulto para a época, o primitivo Mercado do Livramento apresentava dimensões expressivas e uma fachada norte encimada pelas armas do município em mármore, símbolo do investimento municipal e da relevância atribuída ao equipamento.
No interior, casas de venda, mais de quatro dezenas de mesas de pedra para o peixe e duas dezenas de madeira para as hortaliças, bem como serviços estruturados de apoio, garantiam melhores condições de funcionamento.
Rapidamente considerado um dos melhores do país, o Mercado do Livramento ganhou centralidade económica e social, estruturando o abastecimento urbano e afirmando-se, desde os primeiros anos, como espaço identitário da cidade.
No ano em que celebra 150 anos, a rubrica Cidade percorre as várias etapas desta história, revisitando um espaço que acompanha, desde 1876, a evolução de Setúbal e o pulsar da vida económica e social da cidade.