Erva-cidreira,Que estás no alpendre,Quanto mais se rega,Mais a folha pende.
Mais a folha pende,Mais a rosa cheira,Que estás no alpendre,Ó erva-cidreira. (…)
A dança tradicional portuguesa “Erva Cidreira” é originária da região de Ribatejo e era dançada pelos jovens nas festas da aldeia e durante pausas de trabalho agrícola.
A dança envolve os participantes, formando uma roda, com passos de passeio inverso e direto, membros superiores nível inferior ou médio em carreiras com mãos dadas (direita ao par da frente e esquerda ao par de trás), realizando vários tipos de saltitar/rodopios, batendo palmas em pares, além de movimentos circulares, segurando os cotovelos do par.
Habitualmente é lecionada nos grupos de Cantares Tradicionais e Ranchos Folclóricos, bem como nas aulas de Educação Física.
Em cada dança, existe uma viagem pela cultura tradicional das gentes da terra, e é muito interessante conhecer, pela dança e pela música, as suas crenças e filosofias de vida.
E por isso, curiosidades que se esvaneceram com o tempo merecem ser relembradas.
Durante os anos 1960, Coimbra foi um grande centro da canção de protesto em Portugal. O movimento da balada coimbrã estava intimamente ligado à resistência contra a ditadura do Estado Novo (1933-1974).
O Ribatejo, região de forte tradição camponesa e operária, teve uma presença significativa no movimento de resistência ao Estado Novo. As canções revolucionárias dessa época estavam ligadas às lutas dos trabalhadores rurais.
As canções da Revolução foram influenciadas pelo fado, pelo folclore e pelas baladas tradicionais portuguesas.
A canção tradicional “Erva Cidreira” era uma música popular entre os estudantes de Coimbra, especialmente nas décadas de 1950 e 1960. Faz parte da tradição das baladas e fados de Coimbra, cantadas por estudantes universitários, em Serenatas, durante as noites; em Despedidas, no final do curso e como Resistência e Protesto, pois algumas músicas tradicionais foram reinterpretadas, no contexto da luta contra a ditadura do Estado Novo, associadas à busca por liberdade.
E assim, com a música e dança, também relembramos o que precedeu Abril!
Sónia Ribeiro
Bailarina, Coreógrafa e Professora de Dança